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A Herdade da Barroca d’Alva

Quem se encontra rodeado pelo movimento urbano da cidade de Lisboa e, para lá da largueza magnífica do estuário, avista a margem oposta, dificilmente poderá imaginar que, no seu estremo leste, existem paisagens naturais intactas e patrimónios culturais, materiais e imateriais onde o devir dos tempos parece ter parado.

Quando, partindo de Alcochete se ruma ao interior, deixando para trás o ambiente do Estuário do Tejo, começa a fazer-se sentir o relevo, o clima, a fauna e a flora alentejanas, pelo que não é de estranhar a existência de grandes herdades, onde a criação de gado se faz ao abrigo de extensos montados de sobreiro e onde a vida rural permanece idêntica àquela ancestralmente praticada.

Existe menção histórica aos terrenos da Barroca d’Alva, originariamente propriedade da Coroa Portuguesa, desde 1585, porém a sua importância como espaço agrícola reconhecido só terá acontecido depois de 1767, quando Jácome Ratton obteve da Coroa o seu arrendamento perpétuo e iniciou, na herdade, o plantio de amoreiras para reforço da criação de bichos-da-seda, a partir dos quais era abastecida a Real Fábrica das Sedas, então nascida na zona a norte do actual Largo do Rato, em Lisboa, de então em diante conhecida como Amoreiras.

Em 1867, a propriedade viria a ser adquirida por José Maria dos Santos, antepassado do actual proprietário – José Samuel Pereira Lupi. É sob a direcção deste último que, hoje em dia, a Herdade da Barroca d’Alva mantém em actividade uma coudelaria para além do aproveitamento do vasto montado de sobreiro que a integra e dos terrenos de regadio que a delimitam a Norte e a Poente.

No seu extenso monte, cujas construções mais antigas datam do séc. XVIII e que foram iniciativa de Ratton, é possível observar as instalações da coudelaria, de que fazem parte um antigo picadeiro interior e outro exterior de construção recente, as cavalariças e a sala dos arreios; a praça da tenta, a Capela de Nossa Senhora da Graça e inúmeras instalações ligadas às actividades aí desenvolvidas.

Abandonando o monte, em direcção a Nascente e embrenhando-nos no montado, avistam-se cavalos e toiros bravos em liberdade, vastas toalhas de água – os açudes – o mais emblemático dos quais o de Santo António da Ussa, em cujo centro, aproveitando uma península, está edificada a ermida do mesmo nome – uma curiosa, senão única, construção maneirista de planta circular, circundada por duas muralhas defensivas.

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